segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Mecanismo do desastre

Um desastre (do grego, "má estrela") é um facto natural ou provocado pelo homem que afeta negativamente a vida, o sustento ou indústria, desembocando com frequência em mudanças permanentes às sociedades humanas, ecossistemas e o meio ambiente. Os desastres põem em evidência a vulnerabilidade e abalam o equilíbrio necessário para sobreviver e prosperar.

de.sas.tra.do

resultante de desastre
desajeitado, inábil
infeliz, sem graça

Sinônimos
De 2:
desazado
estabanado
maljeitoso
(Brasileirismo) paíba

De 3:
desgracioso
"as vezes a gente precisa dar um tempo, correr pra longe de todo mundo, pra ver quem vai correr atrás da gente."

domingo, 28 de novembro de 2010

"Migalhas dormidas do teu pão
Raspas e restos me interessam
Pequenas porções de ilusão
Mentiras sinceras me interessam
(...)
Teu corpo com amor ou não
Raspas e restos me interessam
Me ame como a um irmão
Mentiras sinceras me interessam"

Ele era esperto. A voz rouca, típica daqueles que já deixaram a puberdade, a seduziam por completo. Os seus ombros largos, seu cheiro suave e atraente, suas mãos moldadas para acariciar. Era isso que a enlouquecia. Era isso que fazia um sorriso sincero brotar em seu rosto, um brilho reluzir nos seus vibrantes olhos castanhos, e o balanço dos seus cachos tornar-se mais intenso. E ele sabia o quanto ela o fazia bem. Ela também sabia. Embalados pelo clima de romance tentavam esconder a paixão que existia por trás da amizade. Mas era totalmente notável aquela mentira. Não tinham como evitar as trocas de olhares e os sorrisos suspeitos. Era impossível esconder a atração, negar um beijo ou um abraço acolhedor. E assim, aos poucos, foram descobrindo um ao outro e o quanto isso os deixava felizes. Gostavam do cheiro de gasolina, e por esse motivo ele sempre a levava para abastecer o carro. Ficavam deitados na beira da piscina atribuindo formas às nuvens do céu. Ele tentou fazer com que ela gostasse de beber. Ela o incentivou a parar. Mas ambas as tentativas foram um tanto quanto em vão. Jogavam videogame às vezes durante tardes inteiras; na sinuca ela sempre ganhava e em todas essas vitórias ouvia diferentes desculpas esfarrapadas de um perdedor. Nas cartas ele trapaceava. Não para ganhar o jogo, mas simplesmente para deixa-la irritada. As guerras de pipoca e almofadas na sala de estar eram frequentes. Mas no final ela sempre fingia uma tontura repentina ou uma torção no pulso com a intenção de parar a brincadeira e dar o bote com cosquinhas. Tudo acabava em beijos estonteantes, e não em juras de amor eterno. Até que os ciúmes foram tornando-se um abismo entre os dois e tempos foram pedidos e concedidos inúmeras vezes. Entre idas e vindas havia tristeza, outras pessoas e uma sensação de que algo a mais podia ter sido feito. Mas nunca houve rancor. Não havia espaço em nenhum daqueles dois corações para mágoas e acusações. Embora não falassem sobre o que sentiam, ainda assim sabiam a grandeza daquele sentimento. Sabiam que nem mesmo a desconfiança tola que levava as discussões inúteis poderia destruir as recordações. Ele arrumou outra, ela arrumou outro... Ainda restaria o carinho mútuo e a cumplicidade do jeito de olhar, as frases incompletas porque já haviam sido compreendidas, as implicâncias com as unhas roídas e a ordem de cores das roupas no armário. E um dia ele partiu. Não teve de partir, pois poderia ficar. Mas decidiu partir. Deixou falar mais alto a vontade por outra pessoa, que ela tanto temia por querer para si. Deixou para trás qualquer tipo de culpa. Levou consigo o desejo de vida nova. Não houve despedida. Apenas o aviso, uma só pergunta, a dúvida da resposta e um longo abraço que parecia não ter fim. Porque o conforto daqueles braços fortes trouxe pela última vez a segurança incomparável que ela jamais encontrou nos braços de outra pessoa.

sábado, 27 de novembro de 2010


O jeito que você tem de encontrar sempre o lugar certo nos meus ombros é legal, e é curioso como você cabe perfeitamente em meus abraços. Engraçado a forma com que você balança a cabeça pra se ajeitar, como se tivesse dizendo "sim" à alguma coisa. A delicadeza com que você se droga é impressionante, como se tivesse fazendo algo lícito. Sempre tá bonita, mesmo que de jeans simples e rabo-de-cavalo. Tá sempre quentinha, até em dias frios. Discutindo vira a mulher mais bonita do mundo, mesmo que do alto dos seus quinze anos. Sempre encontra minha mão, ainda que de olhos fechados. E o modo de me olhar e pedir um beijo só com os olhos?! Não consigo dizer "não". Os tapas que me dá, achando que vai doer. As desculpas que pede (ou não) quando acha que me machucou. O seu modo de nunca dizer que tá com saudade. O seu modo de nunca fazer nada se eu não fizer antes. A saudade que eu sinto. A minha idiota forma de fazer antes, por medo de nunca lhe ver fazer...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

"Eu creio que a tarefa de perdoar os traficantes cabe a Deus. A nós cabe apenas promover o encontro entre eles."
(Paulo Henrique Azevedo de Moraes, Capitão do Bope - RJ)

Serenata II

Não há estudos profundos sobre o beijo. Provavelmente, no meio das pesquisas, os cientistas descobriram que é muito melhor beijar do que sair por aí pesquisando.

Serenata

Se você está se sentindo estranhamente feliz e sorridente, das duas, uma: ou está apaixonado, ou ficou louco. No fundo, não faz muita diferença.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010




Ele andava distraído pela Praça Tiradentes, no centro do Rio. Mesmo em meio à todo aquele caos e boatos sobre arrastões, tiroteios e ações terroristas das facções criminosas cariocas, ele andava tranquilo. Passando em frente ao teatro João Caetano, presenciou um dialogo que lhe chamou atenção:


- Não há colônia no mundo tão pacífica, onde um ou dois homens não queiram criar pequenos problemas...
- Eu não me importo com um ou dois homens. Mas o que me preocupa é uma rebelião generalizada, devastadora, criada pelo povo.

Eu sou assim


Eu sou assim... Gosto de gente, de tumulto, conversa fiada. Gosto de conhecer todo mundo, de falar com todo mundo, de zuar com todo mundo, de zombar de todo mundo... Gosto de abraço, de beijo, de cheiro. Gosto de gente bonita, de gente feia... Eu gosto é de gente! Sozinho eu não dou conta!
Gosto de pop, funk, rock, rap... Eu gosto do que é bom! Eu gosto de samba. handebol, cinema, teatro, boate... Eu gosto do que me faz bem!
Eu gosto de ser o centro das atenções, o subúrbio não me atrai.
Eu gosto do cheiro da manhã molhada, dos fins de tarde melancólicos, das noites alcoolizadas. Eu gosto de Carnaval, de Corpus Christi, de Natal e Ano Novo... Se é oportunidade pra viajar, beber, viver e voltar cheio de histórias, então eu gosto! Muitas vezes eu gosto de tudo, embora algumas vezes eu não goste de nada. Todo mundo tem seus dias ruin, né?!
Mas no final das contas, é disso que eu gosto!