quarta-feira, 23 de junho de 2010

Voz no ouvido


Tava esperando um telefonema teu, tava precisando de uma voz no meu ouvido. Tava imaginando teu olhar mirando o meu, tava desejando um beijo em teu umbigo. Tá legal... falei o que não devia, me dei mal, mas amanheceu um novo dia! Já esqueci, pensei em ti, decidi: Tô aqui esperando pra ver se você vem...
Deixa de lado essa tristeza, beija, afasta esse tormento. Deita nesse amor desarrumado, chega de perder tanto tempo!

Quase amor


Que poder é esse e o que é que eu fiz? Que desejo é esse que eu sempre quis? Fez-se paraíso dentro de mim, mas choveu granizo no meu jardim. Era um quase amor, tipo casual. Atravessa a dor, não fica mal e eu fui condenado sem ter juiz. Me senti culpado de tão feliz...
Um físico desafiou: "Como que o sentimento pode o tempo atravessar?"
Um cínico dissimulou: "Isso vai passar..."
Um místico profetizou: "Tava no seu caminho, escrito, e não se apagará!"
Um lírico poetizou: "Dá pra ver no ar!"
Isso é pra usar, é de sinceridade. Eu morro de pensar, fico na vontade... Mas se o que você diz já não é verdade, que maldade...

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sou você


Mar sob o céu, cidade na luz, mundo meu, canção que eu compus... Mudou tudo, agora é você! A minha voz que era da amplidão do universo, da multidão, hoje canta só por você! Minha mulher, meu amor, meu lugar, antes de você chegar era tudo saudade. Meu canto mudo no ar faz do seu nome, hoje, o céu da cidade. Lua no mar, estrelas no chão, aos seus pés, entre as suas mãos, tudo quer alcançar você! Levanta o sol do meu coração, já não vivo, nem morro em vão... Sou mais eu, porque sou você!

That simple!


Tudo o que eu falo, que eu ouço, que eu vejo, que eu faço, que eu sinto, me lembra você! Confesso que já revoltei, mas eu perco o meu chão se penso em tentar te esquecer. Não que eu esteja sofrendo mas, pelo contrário, é que você me faz tão bem... Mesmo com essa distância, a sua lembrança tem a importância que tem!
Pense em Jobim sem piano, bossa sem Vinícius: mais ou menos eu sem você! Como se o Sol parasse de dar luz pra Lua, Deus me livre de acontecer! Eu sei, tô sendo persistente, intrépito, ousado e meio folgado, talvez... Mas tô te dando a chance de ter um romance que nem o Drummond mesmo fez!

Carta Dani


Escrevo numa tarde cinzenta e fria. Trabalho pra espantar a solidão e meus pensamentos. Estou mais leve, mais livre... Mas ainda tenho muitos medos: medo de voar, de amar, medo de morrer, de ser feliz, medo de fazer análise e perder inspiração... Ganho dinheiro cantando minhas desgraças! Comprar uma fazenda e fazer filhos, talvez seja uma maneira de ficar pra sempre na Terra... Porque discos arranham e quebram.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Os insetos interiores


Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega se de “mais tralos'.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.

Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, “infértebrados”.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se


A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Não sei porquê!


Ouvi dizendo por aí que algo vai acontecer. Diante fica tão distante, de repente não quer mais me ver... Outra vez o último a saber! O que se passa? Talvez eu sempre faça a coisa errada!
Um furacão pra mim é quase nada, de todos os desastres que eu podia, eu escolhi você. Eu não sei por quê!
Achei tudo tão difícil, o início já é meio fim. Corri o risco que eu sentia, a sorte não sorriu pra mim. Mais do mesmo, menos mal. Eu conheço a próxima cena: Um pouco de tristeza já me basta!
Outro dia chega e se arrasta, exatamente quando eu não queria eu conheci você... Eu não sei por quê!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Por gentileza, realeza...


Um rei me disse que quem deixa ir tem pra sempre e me contou que só foi rei porque pensava assim, tão diferente... E eu, que andava assim tão Zé, deixei que tudo fosse e decidi olhar pra frente... Mas não vi nada!
E o rei me disse: "A pressa esconde o que já é evidente. Foi do meu lado que eu achei o que me fez assim, tão diferente."
E eu, que corria assim tão Zé, deixei que tudo fosse e decidi mudar de frente... Mas não vi nada! Não me leve a mal, eu só queria poder ter outra filosofia, mas não nasci pra conversar com rei...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Tempo, mano velho


Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda, eu sei, pra você correr macio, como zune um novo sedã. Tempo, tempo, tempo mano velho... Vai, vai, vai, vai, vai, vai... Tempo, amigo, seja legal! Conto contigo pela madrugada e só me derrube no final!

Seu ser mudo


Eu não tenho tempo pra falar teu nome, eu não tenho nome pra você dizer. Meu café jamais vai matar sua fome, nada que tu traga vai me apetecer. Sinistro, parece que a gente se deu ao desfrute de nada. Tua tanga na manga do mágico falso, tuas mãos na cartola, teu corpo no palco. Não contei ainda teus escudos sujos, sabe que eu te estudo sem me aproximar... O teu santo gringo me mostrou teu mundo, vi que no escuro tu fica a chorar. Se Shiva me disse pra ter paciência, te pego no beco do sino da crença, te assusto com a ira da minha demência! Traga pra cá tudo! Deixa o seu ser mudo me fazer falar.