terça-feira, 22 de junho de 2010

Carta Dani


Escrevo numa tarde cinzenta e fria. Trabalho pra espantar a solidão e meus pensamentos. Estou mais leve, mais livre... Mas ainda tenho muitos medos: medo de voar, de amar, medo de morrer, de ser feliz, medo de fazer análise e perder inspiração... Ganho dinheiro cantando minhas desgraças! Comprar uma fazenda e fazer filhos, talvez seja uma maneira de ficar pra sempre na Terra... Porque discos arranham e quebram.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Os insetos interiores


Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega se de “mais tralos'.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.

Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, “infértebrados”.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se


A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Não sei porquê!


Ouvi dizendo por aí que algo vai acontecer. Diante fica tão distante, de repente não quer mais me ver... Outra vez o último a saber! O que se passa? Talvez eu sempre faça a coisa errada!
Um furacão pra mim é quase nada, de todos os desastres que eu podia, eu escolhi você. Eu não sei por quê!
Achei tudo tão difícil, o início já é meio fim. Corri o risco que eu sentia, a sorte não sorriu pra mim. Mais do mesmo, menos mal. Eu conheço a próxima cena: Um pouco de tristeza já me basta!
Outro dia chega e se arrasta, exatamente quando eu não queria eu conheci você... Eu não sei por quê!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Por gentileza, realeza...


Um rei me disse que quem deixa ir tem pra sempre e me contou que só foi rei porque pensava assim, tão diferente... E eu, que andava assim tão Zé, deixei que tudo fosse e decidi olhar pra frente... Mas não vi nada!
E o rei me disse: "A pressa esconde o que já é evidente. Foi do meu lado que eu achei o que me fez assim, tão diferente."
E eu, que corria assim tão Zé, deixei que tudo fosse e decidi mudar de frente... Mas não vi nada! Não me leve a mal, eu só queria poder ter outra filosofia, mas não nasci pra conversar com rei...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Tempo, mano velho


Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda, eu sei, pra você correr macio, como zune um novo sedã. Tempo, tempo, tempo mano velho... Vai, vai, vai, vai, vai, vai... Tempo, amigo, seja legal! Conto contigo pela madrugada e só me derrube no final!

Seu ser mudo


Eu não tenho tempo pra falar teu nome, eu não tenho nome pra você dizer. Meu café jamais vai matar sua fome, nada que tu traga vai me apetecer. Sinistro, parece que a gente se deu ao desfrute de nada. Tua tanga na manga do mágico falso, tuas mãos na cartola, teu corpo no palco. Não contei ainda teus escudos sujos, sabe que eu te estudo sem me aproximar... O teu santo gringo me mostrou teu mundo, vi que no escuro tu fica a chorar. Se Shiva me disse pra ter paciência, te pego no beco do sino da crença, te assusto com a ira da minha demência! Traga pra cá tudo! Deixa o seu ser mudo me fazer falar.

Escala latina


Um fato sabido é que o luxo só resiste às custas de muita miséria, e o bem-estar social é privilégio de poucos. Que se pratica uma lavagem cerebral disfarçada com o nome de entretenimento, mas mesmo diante da maior das atrocidades, não experimentaremos sentimentos como o ódio e o desprezo. Ao invés disso nossos corações transbordarão amor e compaixão.

Everybody lies


É uma verdade fundamental da condição humana que todos mentem. A única variável é sobre o quê, isso é tão certo quanto a morte, os impostos e as escolhas...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Meu Rio de Janeiro é assim


Praia de Grumari, Arcos da Lapa, Praia de Joatinga, Praia de Ipanema, Cristo Redentor (uma das sete maravilhas do mundo moderno), Praia do Arpoador, Complexo do Maracanã, Praia do Abricó, Praia de Copacabana, Lagoa Rodrigo de Freitas, Prainha, Jockey Club, MAC (Museu de Arte Contemporânea), Marina da Gloria, Ponte Rio-Niterói, Praia do Pepino, Mirante do Leblon, Enseada de Botafogo, Pão de Açúcar, Praia da Barra da Tijuca, Parque Guinle... Vai, recupera o ar! ...Reveillon em Copacabana, Quinta da Boa Vista, Sambodromo, Monumento aos Pracinhas, Praia do Pepe, CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), Igreja da Candelaria, Palácio do Catete, Praia Vermelha (ou Praia do Diabo), Floresta da Tijuca, Mirante Dois Irmãos, Theatro Municipal, Jardim Botânico, MAM (Museu de Arte Moderna), Ilha Fiscal, Ilha de Paquetá, Forte de Copacabana, Trem do Corcovado, e por aí vai...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Holywood não é a América


Seu nome agora era Helena Jane, e com toda sua empolgação juvenil se mudou para o oeste da Califórnia pra se tornar capa de revista. O nome pode ter mudado, mas uma hora as máscaras tem que cair e ela teve que encarar a realidade. Agora ela já nem se reconhece mais. Não chove mais quando ela quer e ela não vence mais os joguinhos bobos que costumava vencer. Já teve todas as emoções possíveis, mas continua procurando.
Todos vem de um lugar, todos podem ganhar um milhão de dólares, mas ela se perdeu... E aos poucos aquele coração quente foi esfriando. Mas ela continuava fingindo. Eles diziam que ela tinha que fingir até envelhecer.
Numa boa, Helena? Coloque seu jeans azul, vá pra casa e nunca esqueça que Holywood não é a América!