quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sou sedentário e não fico puxando ferrinho por aí. Não tenho bronzeado nenhum, nem de escritório e não sou macrobiótico. Ultimamente tenho me enchido de ciclamato e sacarina todo dia e quer saber? Tô gostando muito! Tô dormindo muito mais que o necessário e tô amando isso também. Não tenho assistido minhas aulas. Não acho que um copo de vinho por dia vai me pôr na UTI, eu não sou saúde, caralho, e daí?
Eu também não sou alternativo. Não uso as camisetinhas da moda, não tenho o cabelo do momento, não dou uma de drogado erótico no álbum do orkut, minhas opiniões foram gravadas em pedra, meu gosto musical é paleozóico. Você pode ficar modernoso aí, que eu não vou inovar. E se você é "cool", está na "cena", tem uma franja, um dread ou coisa do tipo, eu quero mais é que se foda! Eu não sou alternativo. Eu não sou nada que você possa gostar e todos os meus gostos são ilegais, imorais ou engordam.
Agora, antes de qualquer coisa... me passe o café.
Não me procura essa noite, tá okay? Não me chama no msn, não me liga, não me enche. Essa noite eu quero ficar sozinho com minhas músicas, meus jogos, minhas idéias que vão e vem... Essa noite eu não quero sair pra beber, pra dançar, pra jogar. Nem se você me chamar pra trepar eu vou aceitar, não quero mesmo! Essa noite tudo que eu quero é a calma ruidosa do meu quarto quente, de porta fechada e tv desligada. Amanhã cedo, quando eu acordar, quem sabe eu te diga qual é o problema. Mas por enquanto não chega muito perto, não tô muito feliz.

Vis lembranças

Tem lembranças que marcam de verdade. Nossa memória adora detalhes.
Eu acho que vou me lembrar de você como alguém que eu conheci e depois esqueci. Eu já pensei seriamente em esquecer antes do fim, porque quando chega ao fim é mais difícil pra esquecer. Pena que eu nunca me levei realmente a sério. É que tem mais chão nesses teus olhos quase-felinos do que disposição nas minhas decisões. Mais esperança na minha esperança do que tristeza nos meus ombros. Mais estrada no meu coração do que medo de percorrer na minha cabeça.

Pegue o próximo ônibus

Eu tenho um desejo barato, tão barato que ele nunca vai compensar o trabalho que não tive para conseguir. Nunca vai corresponder com justiça às perdas... Mas ainda assim o quero! Se não sei o que não posso ter, quando posso ter, talvez seja porque disfarço, ou finjo não saber. Disfarço e me perco fácil no tempo, nas palavras, nos seus olhos... O desejo é o verdadeiro bem querer, mas só quero por horas, na hora certa, até acabar. 
Ela disse: "Vou no próximo ônibus, tá?"
Porque eu sempre quero tudo como quem nunca quer nada?! Eu tenho um desejo barato, tão barato que é ele quem me tem.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ele prefere ser descolado do que humano. E você lembra daquela sensação que sentia ao lado dele. De solidão profunda. E você descobre que ele acha que saudade ou vontade de fazer carinho se resume a uma passada de mão na sua bunda ou uma apertada no seu peito. E você percebe que a vida dele, que você tanto colocou no pedestal, pode ser um pouco boba ou até mesmo triste.

Com carros que correm para esbanjar uma grana gasta com coisas sem amor, bilhetes de reclamação de barulho, filmes onde cunhadas se comem e amigos que ligam na madrugada achando que puteiro pode ser uma opção legal. Em minutos você entende como ninguém o que te trouxe até aqui, tão longe dele.

Tati Bernardi
Tá tudo bem, eu tô feliz! Take your time and live you life... Everything is on its way And it's ok,tá tudo bem! I'm so glad, nobody's sad, venha ser feliz também.

domingo, 31 de outubro de 2010

Você aceita a "verdade" descrita abaixo?



Um ser mágico onipotente, oniciente e onipresente que é 3 em 1 aparece do nada e cria o universo. O humano é criado e instruído para não comer o fruto da árvore mágica, 2 humanos pecam por influência de um demônio disfarçado de cobra falante e toda a humanidade é sentenciada a viver na Terra. Todos os que não conseguem ter fé para acreditar numa coleção de 66 livros que cada leitor tem sua interpretação, que passou pela mão de vários homens e que se diz "palavra de deus" irão ser condenados ao tormento eterno após sua morte. Os que tem fé mas caem nas muitas armadilhas que a própria cria de deus cria e seguem o Islã, Budismo, Hinduísmo, Xintoísmo, etc, etc, etc. Também são condenados eternamente. Todos os poucos que conseguirem acreditar nesta crença ficarão num local adorando um amigo imaginário (deus) sem PC, sexo, internet, estudo, filmes, jogos, razão de viver, consciência, objetivos de vida, etc.


Então, você aceita? ;D

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sabes mentir

Sabes mentir. Hoje eu sei que tu sabes sentir.
Um falso amor abrigaste em meu coração.
Sempre a iludir, tu falavas com tanto ardor dessa paixão que dizias sentir. Mas tudo agora acabou; para mim terminou a ilusão. Hoje esse amor já findou e, afinal, para que amar?!
Sempre a iludir, tu beijavas com afeição. Sempre a fingir uma falsa emoção.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Nem cinco minutos guardados.

Mudou. Mudou de uns dias pra cá. Antes, só de olhar no fundo dos teus olhos quase felinos, eu já sabia (ou achava que sabia...) quando era verdade e quando era mentira. Agora a verdade e a mentira, o certo e o errado, o legal e o chato - e toda uma gama de sentimentos, sensações e motivações opostas - se confundem alí dentro.
Não. Você não me engana mais. Pode falar a vontade por aí que não faz mais, que não mente mais, que não fuma mais, não bebe mais, não fode mais... Eu não vou mais acreditar. E pode acreditar... Vai ser melhor pra você. (E pra mim.)

sábado, 23 de outubro de 2010

Maria Capitolina

"Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, 'olhos de cigana oblíqua e dissimulada.'
Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim."




Eu lembro perfeitamente da primeira vez que a vi. Era intervalo das duas horas lá, ela veio andando toda descompromissada, como quem não queria nada. Sentou na mesa do outro lado da rua com um par de amigos, acendeu um cigarro, pediu uma cerveja e sorriu de alguma coisa. Foi nesse momento que meus olhos tocaram os dela pela primeira vez.
Eu não sabia seu nome, não tinha amigos em comum, e pelo visto não compartilhávamos nem sequer o mesmo gosto de cerveja. Um tempo depois eu descobriria que ela bebia qualquer coisa.
Ela era tão simétrica, que nem mesmo o fato de ser fumante me desencantava. Devia se chamar Ana, Maria... Tinha cara de menina de nome simples, mas de vida complexa, do tipo que não costuma se abrir, e que só mostra a casca. Pra mim já tava bom. Uns meses e umas sextas depois eu já sabia seu nome, onde morava, tinha seu telefone... Mas ainda era um enigma pra mim. Quem era, afinal? Eu ainda não descobri... Mas tô chegando perto. Assim que souber, juro que conto pra vocês.